#Contos | Quando os tacos vão para o alto #EP6

terça-feira, fevereiro 12, 2019




Novamente o botão de seu jeans havia caído. Antonieta agoniada estava à procura daquele bendito botão costurado por ela, sua mãe e até sua vó que se auto estimava, alta costureira, desde jovem. Porém infelizmente nenhuma das três teria tido capacidade maior que a teimosia daquele botão de se desprender. Antonieta naquele calor de dezembro se prometeu, não usar mais aquela peça tão teimosa. Ela já havia perdido três trens naquele sábado sem voltar ainda para sua casa. Desconsolada por aquela situação horrenda, segurava aquele pedacinho raivoso de metal, entre os dedos. Suspirando alto olhou a esquerda encontrando de relance Thiago com um amigo que esperava esperando também o próximo vagão. Veio aquela incerteza de cumprimentar ou não. Tomou a decisão que era melhor não. Ela sentira que ele tinha tido um posicionamento caloroso ao lhe abraçar naquele culto, mas ao responder à mensagem Thiago era definível infelizmente com pouca receptividade.
Havia então encaminhado uma mensagem comentando ter visto de relance Thiago, à sua amiga Livia. Depois de uns quinze minutos sua amiga afoita respondera: “Bom dia, amiga! Sua doida porque não lhe cumprimentou? ”. Com brevidade ela digitou sobre o quanto era incoerente ele ser tão caloroso presencialmente e por mensagem tão distante. Livia começou então a discursar, como às vezes os rapazes são diferentes de nós. E logo veio à mensagem: “-Por mais esperanças que tu Antonieta tenha colocado nele é necessário, que não coloque toda sua expectativa nele. Porém totalmente no Senhor”. Antonieta refletiu em cada frase de sua amiga. Logo expôs o medo de estar tentando novamente algo, o conversar, se interessar e logo colocar no coração ele e se dar mal novamente pelas conversas. Livia ao ler logo respondeu, com um link de uma música Risco de Marcela Tais e aí, já foi dizendo:
“-Viver é um risco que risca a vida que você não arrisca; Minha vó dizia: coloque o medo debaixo do braço e siga! ”.
Em seguida então disse: “-Essa parte, amiga, a gente leva para a vida. E calma, tudo começa com amizade. Se for ser algo mais... será! Se entregou à Deus e fez tua parte fica tranquila. Conversa, seja tu mesma não tem nada a perder. Ao menos terá um amigo. Um amigo a mais sempre é bom”.
Ao ler aquilo Antonieta começou a orar em espírito. Que o Senhor acalmasse suas emoções. Que realmente fosse capaz de lançar toda a sua inquietude Nele. Logo então encaminhou a sua amiga: “-Se não fosse você eu não sei o que seria de mim amiga, realmente provérbios 27:9 é presente entre nós ao dizer que perfume e incenso trazem alegria ao coração, assim como cada conselho que tu deu ao longo da nossa amizade”. Livia com carinho leu e enviou um emoji de um coração logo também encorajando a sua amiga: “-Tá bom, agora chega de melodrama hoje é sábado te arruma bem bonita e vamos hoje lá no culto. Sem desculpas, ok?”. Com risos Antonieta respondeu a sua amiga com um breve ok, sem pestanejar muito aceitando o convite dela.
 Eram 19:50 Antonieta chegou dez minutos antes do culto começar. Ela mordia o lábio inferior, e timidamente tentava colocar os braços numa posição confortável, aonde não pudesse se sentir uma boba aguardando a sua amiga ou até alguém mais “talvez”, próximo à porta.
  Pontualmente às 20 horas chega então Livia, num compasso todo dela, sorria para as pessoas à direita, abraçava os da esquerda, Antonieta numa inquietude batia os pés como se estivesse estrelando em um sapateado de sua amiga. Quando essa se aproximou dela num grito introduziu : “-Te achei! Tonia maravilha!”. Como se as palavras fossem mais rápidas que a consciência dela Antonieta já foi falando: “-Que horas são essas, menina? Tô a um tempão aqui”...
“Boa noite pessoal! Vamos nos aproximar mais perto um dos outros? O culto vai começar!”. Dirigente do louvor já foi anunciando o início deste.
 Antonieta não teve nem chance de expressar, a sua espera à amiga, depois do anúncio. A decoração era muito especial, rodeada daquelas luzes que ela sempre sonhara em colocar em seu quarto. As músicas eram muito mais animadas do que em sua igreja, e para finalizar aquele momento uma das suas músicas preferidas aonde já era marcada no início para ela:
“Todos necessitam, de um amor perfeito
Perdão e compaixão
Todos necessitam de graça e esperança, de um Deus que salva.
Cristo move as montanhas
E tem poder pra salvar...”


Ela amava aquela música porque muitas vezes ela tinha inquietudes em seu coração. E sempre entendia melhor a graça de Deus quando ouvia essa música, pois entendia que se deixássemos Cristo moveria as montanhas em nossa vida. Logo como um “insight” tocara nela, sua oração sobre Deus tomar sua inquietude teria sido respondida em forma de canção. Rapidamente ela anotou no canto de sua agenda de orações respondidas, o que Deus havia respondido a ela. A palavra naquela noite foi sobre confiança. O quanto devemos confiar no melhor de Deus até mesmo nos momentos de dificuldades, poderíamos com os limões da vida fazer limonadas com nossas experiências, para que muitos pudessem beber, sendo edificados.

Quando o culto acabou, formaram-se rodinhas como de comum, que também tinha na igreja luterana. Lívia sua amiga era bem desinibida, e logo soube entre as rodas que adentrava, que a menina Adriana da recepção do culto estava de aniversário e iriam à capital comemorar. Lívia insistiu tanto que Antonieta apenas aceitou à ida. Ao chegar lá conheceu várias novas pessoas. Um rapaz trabalhava próximo ao seu trabalho seu nome era Rodolfo e outra moça chamada Ingrid morava uma rua à frente da sua. Percebeu que realmente os caminhos estavam se cruzando bem aos dela. Bem a ponta da mesa, percebeu então Thiago que também havia ido e apenas acenou à mão e a cabeça em comprimento. A cada nova olhada ela via-o conversando com uma nova pessoa. Às vezes moças, às vezes rapazes, e por último estava com uma garotinha acompanhada de um barulhento chocalho, que ele a sacudia com carinho no colo. Antonieta naquele momento se sentiu tão frágil em seus sentimentos. Ele não havia sido caloroso apenas com ela. Era apenas seu jeito.
As misturas dos tacos ficavam a frente da mesa e como num rodízio, cada frequentador dali se servia. Antonieta estava inundada em seus pensamentos neutralizantes em relação a esperança em relação á Thiago, meio que no automático foi colocando as coisas em seu prato , quando sentiu algo puxar seu vestido, era a nenenzinha, que Thiago estava segurando a pouco, logo então ouviu uma voz masculina: “-Alguém gostou do seu vestido!”, como num solavanco inexplicável ela desequilibrou o prato e até mesmo o equilíbrio dos tornozelos , jogando ao alto todo abacate ao alto, sujando em segundos seu vestido azul claro. Nunca se sentira tão tosca duas vezes pela mesma pessoa em uma mesma noite.






 Conto escrito por: Estefani De Melo Borba



          INSTAGRAM: @EstefaniBorba

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2 comentários

  1. Esses contos são lindos, sério! Eu amo ler contos e a escritora deveria fazer um livro com todos eles. Eu amei!
    Beijos, espelho do Reino <3

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  2. Que amor Erika ♥ a princípio é que apenas toque o coração de vocês e que seja um meio de Deus estar falando e livro... quem sabe plano de Deus ne beijãooo

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